Saborosa CUBA – Uma dívida de Luana Monteiro antes que o mundo acabe

por Luana Pimentel Monteiro

Estou, há precisos sete meses, em débito com a autora deste blog. Além de ser uma das minhas melhores amigas, Milenna Gomes é uma das pessoas mais especiais que conheci na vida. Antes que o dia 21 de dezembro chegue, resolvi cumprir a minha promessa (Amém, senhor!). Em maio de 2012, meu paizinho, José Elpídio A. Monteiro, completou 66 anos de vida. Para comemorar, resolvemos fazer uma viagem com ele e seus cinco filhos. Namorados, maridos, netos e até a mulher dele (minha mãe) foram excluídos do processo. A ideia era que ele aproveitasse o momento com os filhos – e só os filhos. Sinceramente, para mim, foi a melhor decisão. Tive a chance de me aproximar dos meus irmãos, de conviver com eles por oito dias maravilhosos em um paraíso chamado Cuba. O destino – sugerido por mim – foi a realização de um sonho – desses que se deseja cumprir antes de ‘partir desta para melhor’. Eis a minha promessa de transformar os sabores de Cuba em um post. Antes de ir a Cuba, ao conversar com pessoas que já tinham viajado ao país, alguns dos comentários que ouvi em relação à gastronomia: “A comida é horrível”, “Só tem galinha – e com moscas sobrevoando”. Imaginem a cena. Eu que – assim como Milenna – adoro comer, fiquei horrorizada, mas, ao mesmo tempo feliz. Imaginei o lado positivo da situação. Pelo menos, voltaria mais magra, né?  Ledo engano. (Conselho a essas pessoas: voltem lá um dia).

Tenho uma justificativa para a mudança do quadro. Hoje em dia, os apaixonados por cozinha, têm o incentivo do governo cubano para abrir restaurantes – chamados de “Paladar”. Pelo que me disseram, o governo ajuda a montar a estrutura e, em troca, pagam uma espécie de taxa. Suponho que, na época em que essas pessoas foram a Cuba, essa política ainda não tinha sido implementada. Antes, os restaurantes eram todos do governo. A mudança foi uma decisão para incentivar o turismo no país – que hoje se tornou o principal motor da economia de lá. No primeiro dia, passeamos em Havana Velha, a parte histórica da cidade. Uma coisa linda – principalmente à noite. Casarões do século XVII, da época colonial, fazem você se sentir em outro tempo. O bairro tem muitos museus, igrejas, feiras, bares e restaurantes. Caminhando por essas ruelas, encontramos um vendedor de frutas da região que nos ofereceu um tal de Mamey, uma espécie de sapoti. Por dentro ele é laranja, mas o sabor é idêntico ao do sapoti.

No almoço, comemos no paladar “La Cocina de Lilliam”, um cantinho cheio de plantas, com música ao vivo, charmosíssimo. Comi um risoto de frutos do mar que estava di-vi-no. Meu pai e o nosso guia turístico comeram uma carne de porco, acompanhado de arroz congris – um dos pratos típicos da região. O arroz é cozido no molho do feijão, com alho e cebola. Tem um sabor forte, mas como sou apaixonada por alho, achei maravilhoso. De sobremesa, pedimos um sorvete de chocolate e uma torta “três leites”, que tinha uma textura semelhante a do pão de ló. Uma dica: lá em Cuba, não tive sorte com chocolates. Todos os que comi eram sem sabor, parecia gordura hidrogenada pura. Tipo aqueles ovinhos de Páscoa que o chocolate tem um sabor ruim. Por fim, a conta da nossa mesa chegou de um jeito especial: em uma latinha de chá – dessas bem antigas. Uma graça!

O paladar “Vista al mar” foi o restaurante do segundo dia. De entrada, pedimos um ceviche maravilhoso de camarão e batata frita (de batata doce). Como prato principal, os que se destacaram: pato com molho de mostarda e gergelim, carne de porco com legumes no espeto e farofa de banana com bacon. Para deixar o almoço ainda mais agradável, o restaurante tinha vista para o mar – como diz o próprio nome. Imaginem comer todas essas delícias olhando para o mar azul do Caribe? Coisa de outro mundo! Ah, e o serviço também é maravilhoso! O povo cubano é uma simpatia. E, geralmente, eles adoram os brasileiros.

Se eu contar de todos os lugares que comemos em Cuba, este post vai virar um livro.

{milenna} Não pude deixar de concordar com essa frase da minha querida amiga, por isso resolvi encerrar o texto dela aqui. hahah Acho que pra compensar os quase nove meses de gestação deste post, ela inventou de me mandar nada menos que dez parágrafos de história em Cuba!  Todas muitos boas, mas não caberiam aqui. Vamos torcer para que o mundo não acabe e eu consiga postar o finalzinho depois, né? Creuzinha, muito brigada pela contribuição internacional. Não Sei Cozinhar te ama. ∫

Milenna Gomes

Criadora do NSC, Milenna é jornalista de gastronomia e mestranda em história da alimentação na Universidade de Coimbra. Recifense vivendo em Portugal. Críticas e sugestões: contato@naoseicozinhar.com

2 Comentários

  • Responder dezembro 20, 2012

    Kamila

    Ah, posta o resto!!! =) parte II!

  • Responder dezembro 20, 2012

    Luana Pimentel

    Ai, que lindo!!! Me empolguei mesmo com esse post. Tinha muita coisa interessante pra contar. kkkk. Atenda aos pedidos da sua leitora, Mayra! kkkkk

Deixe um comentário