O angu sem caroço de Tia Deda

O sabor deste angu, sem caroço, aí embaixo ainda está fresco no meu paladar. Ele é parte do meu trabalho de conclusão de curso (TCC), mas não de gastronomia (até porque só Deus sabe quando e se eu vou terminar essa graduação). Sim, sempre quis encerrar minha faculdade de jornalismo com um projeto nessa linha. Sabe unir o útil ao agradável? Pronto. Essa segunda, eu e minhas queridas Luana Pimentel e Rafaella Magna concluímos uma semana de gravações exaustiva, estressante, destruidora de juízo e amizades. Nove entre dez pessoas perdem amigos, que seriam para a vida inteira, no último período da universidade, fazendo o TCC. Mas, nós sobrevivemos. Nosso video, o Boca de Forno, logo mais, vai estar pronto para ser servido. Até lá, vou ter unhas e cabelos a menos, claro.
Nosso tema é “expressões populares relacionadas à comida”. Aí você diz pra mim: “Oi, gata?”. Explico. Já reparou como nós colocamos alimentos na nossa oralidade? [segue trecho copiado do pré-projeto, tô com preguiça de explicar pela 8976352042318 vez] Mamão, banana, pastel e pamonha deixam de ser mantimentos e ser tornam, na fala, adjetivos utilizados para designar pessoas sem atitude e com comportamento infantil. Doce é meigo, afetuoso. Azedo é rancoroso, sem bom humor. Quem é amargo provavelmente já sofreu. Se o rapaz é gay também pode ser frutinha e frango, se for indicação de alguém, é peixada. E lá vai ele babar o ovo de quem fez a recomendação. Moça bonita é filé, chuchu, pão. Bom mesmo é se ela der sopa por aí, menino queijudo fica logo enxerido. Se ele somente a beijar, espalha que já comeu. Se ela descobrir, a batata do garoto vai assar. Ele está frito. Vai enfrentar um pepino, ter que descascar abacaxi, comer angu de caroço. Na hora do “vamos ver” a gente descobre se ele é um homem ou prato de papa.

Né massa? Massa. Sacou? hahaha Já tinham reparado nisso? É aí que entram esse angu delicioso e Tia Deda. Ela foi personagem do trabalho e, enquanto cozinhava, ia explicando por que a expressão “angu de caroço” se refere a algo ruim. Aproveitei pra anotar a receita que ela aprendeu com voinha, que morreu antes de poder me ensinar. Provavelmente, se não fosse esse trabalho, eu nunca teria aprendido. Compartilho aqui com vocês.MargarinaAçúcar e farinha de milho bem fininha (aquela de xerém)Leite de coco

água
uma piatada de sal
canelaCom o fogo desligado, misture a farinha com um pouco de água. Esse, e não parar de mexer, é o segredo para o angu ficar fininho, suave, sem caroço. Ligue a chama e vá acrescentando o leite de coco. Depois a manteiga. Quando for soltando da panela vai jogando água para não empelotar. Acrescente o açúcar e, por fim, jogue uma pitada de sal. Finalize com canela pra ficar com gosto de comida de vó.Enquanto Luana e Rafa dividiram um prato, eu comi um inteiro e generoso sozinha. Olho grande sempre foi um defeito. 8)

Milenna Gomes

Criadora do NSC, Milenna é jornalista de gastronomia e mestranda em história da alimentação na Universidade de Coimbra. Recifense vivendo em Portugal. Críticas e sugestões: contato@naoseicozinhar.com

4 Comentários

  • Responder outubro 21, 2011

    Luana

    Feito com margarina Becel, da mais gordurosa! Tava delicioso esse angu (sem caroço) da tua tia!

    • Milenna Gomes
      Responder outubro 21, 2011

      Milenna Gomes

      Qualy, Lu. Qualy!

      • Responder outubro 21, 2011

        Luana

        Ahhh, é Qualy! hahaha Troquei as bolas! 🙂

  • Responder outubro 21, 2011

    Aline

    Esse post tá LINDO! Só faltou uma coisa… a explicação da tia Deda sobre o angu de caroço! HSUEHUEUHSHUE Cenas do próxima capítulo, né?! Então quando o TCC ficar prontinho e sair esse 10 a gente quer post novo!!!

    PS.: Ninguém melhor traduziu o que são tempos de TCC do que Milenna Gomes! E não só TCC, mas a gente perde amigos que seriam pra vida toda quando começa a ganhar outras obrigações, como um estágio pra lá de puxado…! Sabe o que quero dizer, né! E isso é um fato!!! 😀

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