Feriado em Porto e memórias de uma capsulete

Você vai ver comidas gostosas neste post e não vai poder comer. Por falta de aviso não foi, viu? Muito menos de sorteio! É que até ontem aconteceu o festival Porto Gastrô, em Porto de Galinhas, e eu fui ao balneário a convite do evento dar aquela checada nos pratos. Querido Deus, obrigada por este blog. Amém. ~ Preciso dizer pra vocês que o finde não foi nada difícil. Uma praia linda na minha frente, sol de rachar, céu azul, pratos deliciosos, hotel legal e esse clima de “verão tá na porta” estampado na cara das pessoas. Como alguém vive num eterno nublado de lugares como a Inglaterra? Quando chove demais eu já fico em casa me arrastando pelo chão, deprimida, com vontade de me jogar pela janela. Preciso de luuuuuz. Enfim. Porto, essa praia linda de morrer, foi onde eu morei sozinha pela primeira vez! Uma das maiores presepadas da minha curta existência. O que teve de cilada teve de divertido. hahaha Imagina como eu fiquei nostálgica quando descobri que iria me hospedar uma rua depois da casa em que morei… e no hotel em que trabalhei! Lágrimas.

recife cedo santa isabelRECIFE amanhecendo num dia mais que lindo.

Pois bem, acordamos, eu e Felipe, às 4h30 do sábado para chegar na praia bem cedinho. Como vocês devem imaginar, eu não levantei bem-humorada e podia ser, facilmente, confundida com um zumbi. Não lembro, inclusive, como tirei essa foto aí de cima porque eu permaneci semi-inconsciente boa parte da viagem. Com toda razão.

praia cedoPORTO DE GALINHAS às 6h30 da manhã: um espetáculo.

Só que valeu a pena DEMAIS! Gente, como Porto é tranquila de manhãzinha. Turistas caminham na areia, pais levam bebês para banho de sol, pescadores saem para o mar e a vista é incrível. Exatamente como tá na foto. A água fica prateada, rasa e quentinha. A temperatura do lado de fora, amena. Deu pra dormir horrores na minha esteira aberta na areia, sem torrar e virar carvão. Perdi de ser atropelada por uns bugueiros loucos, mas eu tava tão relaxada – acho até que caiu uma babinha – que não ia nem sentir o pneu.

O festival tava ótimo. Devia durar o verão inteiro. Vinte restaurantes criaram pratos especiais com o tema “Raízes do Nordeste”. Tirando o fato de que quase todos – pelo menos os que eu fui – fizeram purê de inhame ou de macaxeira (nunca comi tanta raíz em tão pouco tempo!), a variedade dos pratos foi excelente. O nhoque com filé do La Tratoria e a lagosta do Peixaria ficaram empatados no posto de favorito. No sábado, eu almocei e jantei duas vezes pra conhecer isso tudo – porque eu já ia embora no domingo. Tô uma bola. Me alimentando de alface e gelo. Ninguém me ofereça comida até o Natal.

marupiaraMARUPIARA é hotel super confortável no Cupe.

Aí você me pergunta: “Mas que mulesta é capsulete, hein?”. Eu respondo: é uma criatura com marca de bronze até o joelho, câmera fotográfica na mão, pouco ou quase nenhum dinheiro no bolso e um boné na cabeça altamente descolado com a palavra “sorria” bordada. A letra O, claro, se caracterizava pelo formato de um smile amarelo. Uma coisa liiindja. Atualmente, esse espécime, que habitava hoteis de Porto de Galinhas, está em extinção, até onde eu sei. Isso foi em 2008, quando eu, estudante de 18 anos mais lisa que lesma ensaboada em boca de banguelo, resolvi arrumar um estágio. Fui bater em uma casa em Porto, com mais 11 mulé da mesma idade {AVALIE!}, na alta estação praieira. O serviço era fotografar hóspedes em resorts como contratadas da Capsula 1, daí o capsulete (inventado, carinhosamente, por nós).

Foi um tempo divertido, viu? De ir à praia depois do expediente, fazer luau, beber caipirinha de Pitú, roubar wifi do vizinho pra usar no notebook de Polly comprado em 12 vezes no cartão da então sogra dela, descobrir quem danado desaparecia com os Toddynhos da geladeira (um mistério até hoje), fazer todo dia o trajeto Porto-Recife para não perder aula na faculdade e chegar no trabalho ACABADA às 7h depois de passar a madrugada no Recife Antigo me jogando no Carnaval, três dias seguidos. Olhe, como jornalista eu não aprendi muita coisa nesse emprego não, mas como maloqueira… hahaha Detalhe: cheguei a trabalhar por pouco tempo no Marupiara, hotel que me hospedei esse finde, antes do nosso chefe protagonizar a rescisão de contrato coletiva mais alegre de que se tem notícia. Nunca vi tanta desempregada feliz. hahaha

casa das capsuletesEX-CASINHA das capsuletes. Nostalgia em Porto. ♥

Foram só três meses, mas pareceu uma vida. Mesmo estando o pó de uma célula esfarelada de tão feia nessa foto, não pude deixar de registrar o reencontro com a casinha. Ex-capsuletes, dedico este post a vocês. :*

Milenna Gomes

Criadora do NSC, Milenna é jornalista de gastronomia e mestranda em história da alimentação na Universidade de Coimbra. Recifense vivendo em Portugal. Críticas e sugestões: contato@naoseicozinhar.com

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