Conhecendo o Maní, de Helena Rizzo, a melhor chef do mundo

Eu já sabia que experiências gastronômicas são muito relativas. Para serem boas ou ruins, vai depender do seu humor, do humor do cozinheiro, do pedido, da comida do restaurante, do atendimento e de fatores mil que não dá para listar. Depois de conhecer o Maní – junto a Felipe, boy magia, e Luana, amiga linda do coração – eu tive certeza disso. Como pode um lugar ser tão incrível para uns e absolutamente sem graça para outros, tendo eles compartilhado a mesma mesa? Antes de começar a falar sobre o assunto, uma breve introdução. O Maní é chefiado pelo casal Daniel Redondo e Helena Rizzo, eleita este ano a melhor chef mulher do mundo em 2014. Tá fraquinha de moral, né? A escolha foi feita por uma das revistas gastronômicas mais respeitadas, a inglesa Restaurant, que também promove o ranking The World’s 50 Best Restaurants (Os 50 melhores restaurantes do mundo), no qual a casa também está inclusa. A versão latina da lista saiu agora em setembro e, olhem só, o Maní estava lá em quarto lugar. Ou seja, almocei numa das melhores comedorias de todos os continentes, uma das cinco mais da América Latina, comandada pela melhor cozinheira do mundo. E foi isso tudo SIM, queridos leitores. Sem tirar nem pôr. Mentira, eu tiraria Felipe e Luana reclamando do preço, do tamanho dos pratos, do serviço. Eles acharam quase tudo uó! hahaha Enquanto eles alfinetavam, eu comia e era feliz. Meu prato estava impecável. A sobremesa, de comer ajoelhada e lamber o pote. Assim que soube da minha ida a São Paulo, reservei uma mesa pelo e-mail que eles disponibilizam no site. Em três dias me responderam. Fiz com dez de antecedência porque é praticamente impossível conseguir de véspera. No domingo, foi só chegar e me divertir.

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O lugar é lindo desde a fachada. Não tenho certeza qual árvore é essa – acho que é uma macieira -, mas ela deixa uma sombra tão gostosa na frente que você já se sente bem-vindo. Era uma tarde (13h) bem ensolarada e algumas pessoas estavam de chinelo aguardando as portas abrirem. Dá para ir bem à vontade e eu achei isso massa. Assim que você entra, tem um corredor com o teto pintado de estrelas. Muito lindo! Fiquei encantada. Só depois vi no site a existência de um projeto artístico nessa parte do restaurante. Sempre recebe intervencões e muda de acordo com o artista. Passou daí, são três ambientes. Se você for fazer a reserva, pede para ficar no primeiro ou no úlltimo. Eles são praticamente ao ar livre, tem algumas árvores, cadeiras de madeira e uma instalação que lembra vinhedos. Muito amor. Fora que os dois recebem luz natural vinda de fora. Eu fiquei no espaço do meio, o mais sem graça, com ar condicionado e paredes pálidas. hahah Mas a comida compensou. Os preços são super aceitáveis levando em consideração os valores de Recife. Os pratos principais começam na faixa dos R$ 60, as entradas, R$ 40. Uma média parecida com os restaurantes mais caros daqui. Fiquei séculos olhando o cardápio até decidir. Escolhemos, antes de tudo, duas entradinhas para beliscar. Elas vêm numa boa quantidade, contudo são pequenas. As abobrinhas estavam deliciosas. Crocantes e bem recheadas. Já o polvo, não senti nada de espetacular. Lindo, mas bem sem gosto, pra falar a verdade.

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Espetinhos de polvo à galega com batatas confitadas e páprica doce. R$ 42.

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Mini abobrinhas gratinadas e recheadas com cogumelo. R$ 42.

Nessa altura do almoço, Felipe e Luana já tinham falado mil vezes que o custo-benefício das entradas não era bom. Que não iam pedir vinho porque era caro e que a expectaiva do dia era mesmo conhecer a loja da Nutella na Paulista. Quase que eu chamo os seguranças pra conter tanto abuso. haha Pedi o prato principal e foi uma epifania. Meu Deus, tava muito bom. O atum era super fresco, só faltava nadar, e a espuminha de gengibre… uma das melhores coisas que já provei. O prato estava realmente sensacional. Lindamente apresentado e executado com louvor. Um beijo para o chutney de amoras (espécie de compota da fruta) que compunha o prato. Levinho e com uma cor mega apetitosa. Até o chatos – mas amados – companheiros adoraram. Tamanho nada modesto, viu? Pra quem acha que restaurante chique serve comida de passarinho, informo que terminei a refeição satisfeitíssima.

Atum levemente grelhado acompanhado de quinua, chutney de amora, espuma de gengibre e shissô (uma erva)

Atum levemente grelhado acompanhado de quinua, chutney de amora, espuma de gengibre e shissô (uma erva). R$ 80

O pedido de Luana também foi incrível, embora tenha achado o meu mais gostoso. Era sugestão do dia, então não estava no cardápio e é possível que você não encontre caso dê uma pinta pelas bandas de lá. A atendente falou de boca mesmo, duas opções. Não lembro exatamente o que era, mas o sabor e a textura ficaram na minha cabeça. Luana jura de pé junto que não foi isso que ela escolheu. Achamos melhor deixar quieto. O massa de pedir a sugestão do chef é que ele manda aperitivos antecedendo o prato. Fiz fotos, mas ficaram tão mal tiradas que resolvi não colocar qui. Foram três. Só lembro com clareza de um: um bombom de jaca delicioso. Não era doce, tinha formato redondo e uma casquinha que explodia e se dissolvia na boca. Nossa! Luana, uma fofa, dividiu comigo. ♥

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Lâminas de atum com salsa sobre pimentões coloridos. Três aperitivos antecediam o pedido. R$ 89

Aqui eu deixo uma dica: se você não consegue identificar algo no cardápio, pergunte ao garçom e evite erros. Felipe aprendeu. Escolheu o prato com base no lagostim sem saber o que era fideuá (o nome da opção era Fideuá de Lagostim). Deu um Google basicão, leu o nome paella e ficou por isso mesmo. Acontece que fideuá não é arroz, mas uma massa, utilizada em uma variante do prato espanhol. Resumindo, parece macarrão cabelo de anjo frito. hahahaha Pra que, né? Até hoje ele reclama que gastaria muito menos comendo isso no Tepan. HAHAHAHA Precisei rir. Não estava ruim, só acho que não é a melhor das opções para quem deseja experimentar sabores diferentes. Perguntem, crianças, perguntem.

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Fideuá de lagostim. R$ 79

A sobremesa, minha parte favorita, foi um flan feito com o chocolate francês Valrhona. Delicioso! Nada doce. O gosto é um pouco complexo porque recebe laranja e canela na preparação. Formiguinhas podem não gostar. Não agradou o paladar de Luana, por exemplo. Felipe amou. Eu só faltei passar o dedo dentro do potinho de vidro pra não desperdiçar nada. Consistência maravilhosa, densa, potente. Bom demais. Dá para dividir perfeitamente com pelo menos duas pessoas, mas meus queridos companheiros me aporrinharam demais e não tavam merecendo. Comi praticamente sozinha. Minha experiência no Maní foi ótima. Voltaria sim. Ainda quero provar o Risoto de Beterraba, sugestão da minha chefe Vanessa Lins, que esteve por lá e aprovou. A quem interessar possa, heleza Rizzo vai estar por aqui no Prazeres da Mesa, dias 7 e 8 de outubro, no Senac.

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Flan de chocolate Valrhona 64% cacau, aromatizado com laranja e canela. R$ 22

SERVIÇO

End.: Rua Joaquim Antunes, 210, Pinheiros, São Paulo.
Tel.: (11) 3085-4148 ou 3062-7458
Reservas: mani@manimanioca.com.br

Milenna Gomes

Criadora do NSC, Milenna é jornalista de gastronomia e mestranda em história da alimentação na Universidade de Coimbra. Recifense vivendo em Portugal. Críticas e sugestões: contato@naoseicozinhar.com

3 Comentários

  • Responder setembro 30, 2014

    Marcela

    Me senti lá dividindo a mesa com vocês. Juro que escutei Felipe reclamando. hahahaahha
    Tu é linda escrevendo. Te <3

  • Responder setembro 30, 2014

    Luana Monteiro

    não é macieeeeeira! Era um pé de romã! E eu não achei ruim não, mas não achei essas coisas todas. Talvez tenha sido infeliz com os pedidos. Já comi melhor em restaurantes mais baratos.

  • Responder outubro 24, 2014

    Gabriela

    Nossa fiquei morrendo de vontade agora!
    Quero muito experimentar!!

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