Chef’s Table, série do Netflix pra arrepiar quem gosta de gastronomia

Chef’s Table não é um programa de receitas. Ao assistir, não espere cozinheiros simpáticos e fotogênicos te ensinando a cozinhar, muitos menos pessoas brigando entre si para provar a um júri que sabem preparar um bom prato. Essa série é tão mais. Não que eu desgoste dos outros tipos. Adoro todo e qualquer produto televisivo, cinematográfico e virtual voltado para gastronomia. Mas CT é uma obra de arte. É tão bonito, tão bem feito, tão real, que eu me emocionei, arrepiei e dei pulinhos de excitação em cada um dos seis episódios. Série obrigatória para os apaixonados por comida, viu? Foi lançada esse ano no Netflix e conta a história de grandes nomes da alta cozinha por trás de restaurantes entrelados. Tudo isso com imagens de tirar o fôlego, feitas com câmeras poderosas de cinema. Dá pra ver detalhes como a colher entrando no favo de mel e a correria de uma cozinha profissional em slow motion. De CHORAR de tão lindo! Uma poesia visual. E o que cada chef tem pra contar e ensinar… AI! Se eu ainda não te convenci a assistir, aqui vão alguns outros motivos.

massimoFotos: Netflix/Reprodução

1) Massimo Bottura, do italiano Ostreria Francescana, conseguiu salvar com uma receita de risoto toda a produção (coisa de 300 mil itens), danificada por um terremoto na região, da Parmigiano Reggiano, a fabricante de queijo parmesão mais tradicional da Itália. Ele inveitou um prato com o laticínio que passou a ser preparado pelo mundo todo. Apenas. Fora que Massimo foi apedrejado por anos por fazer comida italiana contemporânea. Hoje, o restaurante dele é o segundo melhor do mundo. PÁ! Como é mesmo aquele ditado sobre vingança e prato frio?

dan barber

2) Os aspargos estavam excelentes, fresquinhos, na estação, então Dan Barber encomendou vários para o restaurante. Quando se deu conta, o estoque tinha essse vegetal até o teto e ele resolveu criar um menu completo baseado no ingrediente. Teve até sorvete de aspargos e foi incrível. A partir daí, ele começou a entender que o alimento (novo, fresco, cheio de sabor e vitalidade) é a parte mais importante da cozinha. Ele levou isso tão a sério que montou um restaurante dentro de uma fazenda, onde ele planta e cria – de maneira natural, sustentável e tecnológica – tudo que serve. É impressionante.

francis malman

3) Eu assisti o episódio de Francis Mallmann duas vezes porque é SENSACIONAL. Ele é dono de restaurantes três estrelas, mas mora no meio de uma ilha na Patagônia e cozinha da forma mais rudimentar que consegue, usando fogueira, argila e buracos cavados na terra. Num instante depois, ele está em Buenos Aires montando a mesa mais bonita e sofisticada que eu já vi. Absolutamente lindo. A cena que ele tira com um garfo a pele de um salmão recém cozido é de se emocionar. Sou dessas.

niki

4) Niki Nakayama eu já considero pacas. Que orgulho, que mulher! Nascida numa família tradicional japonesa, que valorizava o irmão mais velho apenas por ele ser homem, Niki precisou a vida toda provar que era boa e merecedora do reconhecimento dos pais. Sempre levou rasteira, mas hoje samba na cara da sociedade. Vou colar um poster dela no meu escritório. Ela é tão aficionada em ser excepecional que nenhum cliente do N/Naka, em Los Angeles, come a mesma coisa duas vezes. Várias pastas com o que cada um pediu estão guardadinhas cheias de anotações. Maravilhosa.

attica5) Por fora, o Attica é um restaurante bem comum. E por dentro também, segundo os críticos. Mas os pratos… A casa fica na Austrália e o chef Ben Shewry, depois de muito penar, coseguiu encontrar uma identidade pro lugar. Ele servia comida tailandesa, italiana e mais umas bem nada a ver. Quando passou descobrir os sabores da Oceania, como algas e canguru (ouuun) entrou na lista dos 50 melhores do mundo. Hoje é o número 32.

magnus

6) Magnus Nilsson conseguiu fazer o Fäviken, restaurante numa cidadezinha no meio do nada, na Suécia, ser o 25º melhor do mundo. Pessoas de todo os lugares pegam um avião e uma estrada de centenas de quilômetros para fazer uma refeição lá – que também é uma pousada. Datalhe: durante seis meses do ano absolutamente nada cresce por aquelas bandas, ou seja, comida fresca é raridade. Magnus utiliza as fomas nórdicas mais antigas de conservação para ter alimentos sempre deliciosos na mesa. Foi o lugar que eu mais tive vontade de conhecer (o que é aquele caranguejo gigante???). Tá na lista dos desejos.

Eu tô apaixonada. Quero a próxima temporada pra ontem. E, de preferência, com alguém bem fodão do Brasil. 🙂

Ta aqui o trailer pra esmagar qualquer dúvida que você ainda tenha.

Milenna Gomes

Criadora do NSC, Milenna é jornalista de gastronomia e mestranda em história da alimentação na Universidade de Coimbra. Recifense vivendo em Portugal. Críticas e sugestões: contato@naoseicozinhar.com

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