Borough Market, o melhor mercado de Londres

Fui a cinco mercados em Londres (amo mercados ♥) e o Borough, de longe, foi o melhor. E digo mais: para mim, foi o passeio mais legal da semana que estive na Inglaterra. Há exatos 30 dias eu estava lá, em 4 de maio, na segunda das duas visitas que fiz ao Borough durante a viagem. Escrevo agora com o coração apertado, depois das notícias do atentado terrorista ao mercado, nesse 3 de junho. Um mês de diferença é muito, eu sei. No Brasil a gente sofre pequenos atentados todos os dias, de diversas maneiras, e o resto do mundo não liga. Mas, me dou o direito de ficar arrasada por esse lugar que fez de mim a pessoa mais feliz da vida durante as quatro horas que estive lá. Foi paixão avassaladora, amor à primeira vista, borboletas na barriga, mão suada, ansiedade, riso bobo na cara. O Borough é um pedacinho do paraíso na terra pra quem gosta mesmo de comida. E se ele fosse gente, eu casava.

Me hospedei num hostel na Borough Street, quase em frente ao complexo gastronômico. Para chegar, a estação mais perto é a London Bridge, que fica na porta. O Borough é o market mais antigo de Londres e já foi o centro de distribuição de comida mais importante da Inglaterra. Há registros dele como uma feira em 1014, ou seja, o espaço tem mais de mil anos e resistiu até hoje por ser quase colado com a London Bridge, durante muito tempo a única ligação dessa parte da cidade com o centro de Londres. Em 1676 ele sofreu um incêndio e foi reerguido em 1756, passando a funcionar da maneira que o conhecemos hoje.

Mapa do mercado e da região. Imagem: site do Borough Market

Me senti uma criança quando entrei. O Borough mistura uma estrutura em ferro com uma de pedras e outra mais moderna, em vidro, e é complementado pelos bares e restaurantes do entorno. Dentro, são inúmeras barraquinhas de produtos frescos, de pequenos produtores locais, e feitos artesanalmente. Pão, queijo, peixe, cogumelos, trufas, flores. Tem de tudo. É um tapa na cara de quem diz que em Londres não se come bem. Até o lendário italiano Carlos Petrini, criador do movimento Slow Food, frequenta e elogia o Borough pelo incentivo à produção local.

Não conseguia fechar a boca de tão impressionada com esse lugar, era eu andando e meu queixo limpando o chão. Tem muito turista circulando, mas os londrinos vão lá fazer feira mesmo. Imagina que privilégio ter uma estrutura dessa no pé de casa! Mais bonito e mais organizado que o La Boqueria, de Barcelona. Maior, mais informal e mais acessível que o Les Halles de Lyon, de Paul Bocuse, na França. Meu número, meu tipo de mercado. Além dos stands de ingredientes, são vários os de comida internacional. Jamaicana, italiana, chinesa, alemã, grega, tailandesa, indiana, espanhola. É uma festa! Sem contar os bolos, sorvetes, chocolates, doces. Eu fiquei que nem uma barata tonta, sem saber o que escolher.

Acabei indo de comida londrina mesmo, o tradicional fish and chips, o peixe empanado com batata fritas (£8,95). Por acaso, a barraquinha que vende, a Fish!Kitchen, é a atual campeã (2017) do concurso nacional que escolhe quem faz melhor esse prato. Felipe ficou com o potinho tailandês da alegria: noodles, camarão e amendoim (£7). Tem muita opção vegetariana/vegana e, como vocês viram pelo preço, é dos lugares mais baratos de se comer em London.

E COMO SE NÃO BASTASSE…

O mercado promove eventos para falar de comida, tem uma revista própria maravilhosa, onde destacam os produtos e produtores de lá com entrevistas e receitas, e ainda realizam a #DEMOKITCHEN às quintas, quando um chef vai cozinhar ao vivo e ensinar a quem está de passagem. Todo mundo prova as delícias. Nesse dia, o fotógrafo da revista, John Holdship, estava lá para ensinar a fazer foto de comida. Ele fotografava o chef e as fotos iam em tempo real para uma tela. Ele falou de luz, de edição, de enquadramento. E quem quisesse podia ir lá fazer foto do prato pra ele avaliar e dar dicas.  JÁ VIU, NÉ? Aluguei o hômi. Precisei sair arrastada de lá por Felipe porque, por mim, eu morava ali.

Os melhores dias para conhecer o Borough Market é de quarta a sábado. No domingo fecha e segunda e terça o mercado funciona limitado, com poucas barraquinhas. Os horários estão aqui, é só clicar.

Espero que o terror não te desencoraje a visitar Londres. Se for, vai no Borough. Ele é todo amor. E é de amor que e gente precisa.

Milenna Gomes

Criadora do NSC, Milenna é jornalista de gastronomia e mestranda em história da alimentação na Universidade de Coimbra. Recifense vivendo em Portugal. Críticas e sugestões: contato@naoseicozinhar.com

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