Boca de Forno

A comida está na boca do povo, tanto de fora para dentro, no ato de comer, quanto de dentro para fora, na hora de falar.

“Mamão, banana, pastel e pamonha deixam de ser mantimentos e ser tornam, na fala, adjetivos utilizados para designar pessoas sem atitude e com comportamento infantil. Doce é meigo, afetuoso. Azedo é rancoroso, sem bom humor. Quem é amargo provavelmente já sofreu. Se o rapaz é gay às vezes é chamado de frutinha e frango, se for indicação de alguém, é peixada. E lá vai ele babar o ovo de quem fez a recomendação. Moça bonita é filé, chuchu, pão. Bom mesmo é se ela der sopa por aí, menino queijudo fica logo enxerido. Se ele somente a beijar, espalha que já comeu. Se ela descobrir, a batata do garoto vai assar. Ele está frito. Vai enfrentar um pepino, ter que descascar abacaxi, comer angu de caroço. Na hora do ‘vamos ver’ a gente descobre se ele é um homem ou prato de papa.” [Trecho do projeto de conclusão]

Já reparou que a gente tem costume de se expressar, na fala, com palavras relacionadas à comida? Pois bem, explorar essa particularidade do nosso vocabulário foi a missão que eu e as amigas Luana Pimentel e Rafella Magna abraçamos no final do curso de jornalismo. No nosso Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), pesquisamos a origem e a razão de termos essas expressões e ditos populares ligados à alimentação na ponta da língua, fazendo da nossa boca quase um forno. O resultado, realizado com muito carinho, tá aqui embaixo. Curtam. 🙂

Boca de Forno from MilennaGomes on Vimeo.