6 passeios lindos para fazer em Bordeaux, na França

Paris é linda, mas vocês conhecem Bordeaux? Tem monumentos incríveis, ruelas antigas, comida boa, vinho melhor ainda e todo o charme parisiense que vemos nos filmes de Godard, só que com a vantagem de ser menor, mais barata e infinitamente menos caótica que a capital francesa. Das cidades que conheci durante 15 dias na França essa foi, sem dúvida, a que fez meu coração bater mais forte e deixou em mim a vontade de não querer sair mais. Comecei até meu planejamento para emigrar para lá, que é juntar dinheiro e aprender francês. Tenho R$ 5 e já sei falar “Le chat et noir” (O gato é preto) graças ao Duolingo. Sinto que estou no caminho certo.

Quando se fala em Bordeaux é impossível não pensar em vinho. A região é uma das mais importantes produtoras do mundo e as bebidas feitas por lá, até as menos sofisticadas, no geral, são de boa qualidade. Se você estiver de carro, não deixa de se perder pelos châteus/vinícolas que existem ali em volta. Eu turistei pela cidade, que é um deslumbre, e hoje choro lágrimas de vinho tinto de arrependimento por não ter podido ficar mais tempo. Bordeaux é feliz, sabe? Tem uma vibe positiva, gente jovem reunida, bares animados, pessoas fazendo corrida ou descansando na beira do rio.  Foram apenas três dias (e um deles dedicado a um bate-volta a uma cidadezinha medieval, Saint-Emilion), mas bem degustados dentro meu estilo lento e caminhante de fazer turismo. Tudo é lindo nessa cidade e aqui vão seis dicas de lindezas que vi por lá. Mas, antes…

Como chegar?

Bordeaux fica a pouco menos de 600km de Paris e dispõe de aeroporto, estação de trem e de ônibus. A França, em comparação com o Brasil, é bem pequena e é super tranquilo fazer percursos de carro, parando nas plantações de canola que colorem de amarelo a estrada (no caso de você estar viajando na primavera). Eu cheguei de ônibus. Usei e abusei do Flixbus e do Ouibus, as formas mais baratas de se deslocar dentro da França – mais até que o serviço de carona BlaBlaCar. Utilizei esse transporte pra visitar Clermont-Ferrand, Lyon, Nantes e Bordeaux. Como Paris era longe, preferi ir de trem.

Os amigues na Place de La Bourse, bairro de Saint-Pierre

Em que região se hospedar?

Os bairros de Saint-Pierre e Saint-Paul são os mais bonitos e concorridos por serem de frente para o rio e cheios de praças, restaurantes, lojas e atrações turísticas. O Saint-Michel, logo atrás desses, também é super interessante. Aliás, o centro histórico de Bordeaux é todo legal, mas eu não fiquei por lá. Me hospedei em Airbnb, num apartamento logo depois da Pont de Pierre, outro icônico ponto da cidade. É só atravessar a ponte (para área de La Bastide) que os valores de hospedagem diminuem consideravelmente, já que saímos do perímetro turístico. Achei uma boa opção, uma vez que passar pela ponte todos os dias era lindo e durava só 10 minutinhos.

Quanto tempo ficar?

Eu passei somente três dias e isso é suficiente se você quiser ficar só pelo centro. Caso deseje conhecer Saint-Emilion (que vale muuuuito a pena), a 40 minutos de trem, sugiro passar pelo menos quatro ou cinco. Era o que eu gostaria de ter feito.

Restaurantes com esplanadas são uma delícia: matamos a fome e vemos o movimento

O que fazer?

1 – Descubra o centro histórico a pé

A parte antiga de Bordeaux é considerada patrimônio mundial pela Unesco desde 2007. O que isso quer dizer? Prédios velhos e lindos até onde o vista alcança. Sugiro começar pela Place de la Comédie. Ali pertinho tem o escritório de turismo, vai lá, agarra um mapa e começa a explorar. O Grand Theatre, bem do lado, é impossível de ignorar: um teatro lindíssimo do século 18 que merece sua visita. Em frente fica um dos hotéis 5 estrelas da cidade onde eu vou me hospedar quando for ryca. E a rua das compras, a Sainte Catherine, fica logo ali depois do rosto gigante que te acompanha com o olhar enquanto você se movimenta. Obra do artista catalão Jaume Plensa. Bem pertinho tem a  Saint-Rémi, via abarrotada de restaurantes. Na região de Saint-Michel encontramos a basílica de mesmo nome e uma torre de 114 metros de onde é possível ter uma vista incrível da cidade (€5). Não consegui subir por falta de tempo. A Place de la Victoire fica na mesma área, é point favorito dos estudantes, tem vários cafés e umas tartarugas gigantes que fazem a festa das crianças. Tudo isso pode ser feito andando, viu? São 20 minutos de caminhada, em média, de um lugar ao outro e você ainda vai descobrindo outras belezuras da cidade no caminho.

Place de La Comédie, área central de Bordeaux

Carrossel de filme na La Comédie

Torre da Basílica de Saint-Michel, conhecida como La Flèche

Aos domingos tem feirinha de antiguidades em frente à catedral

Toldos e flores. Muito francês, né?

Place de la Victoire, no bairro de Saint-Michel

2 – Assista ao acender das luzes na Place de la Bourse

Uma das coisas mais bonitas que vi na França. A Place de la Bourse fica de frente para o rio Garonne. É ampla, tem alguns restaurantes e uma fonte com anjinhos pelados no meio. Em frente, existe um espelho d’água de 3.450m² que reflete o céu e as cores do entorno. No verão, as pessoas vão lá para se refrescar. O entardecer ali é muito bonito, mas não vá embora sem ver as luzes da praça sendo acessas. Cheguei a ficar emocianada de tanta lindeza. Depois, vale circular pelo centro à noite para ver tudo iluminado.

3 – Conheça a La Cité du Vin, o maior museu do mundo dedicado a vinhos

Bordeaux e regiões do entorno têm uma importância histórica tão forte ligada ao vinho que a La Cité du Vin (A cidade do vinho) foi construída lá. É o Museu do Amanhã dessa bebida, se é possível fazer a comparação. O lugar é absolutamente incrível. O prédio foi construído para lembrar o movimento da bebida na taça e só de longe já faz os pelos do cangote se arrepiarem. Lá dentro, são centenas de horas de conteúdo, material interativo, experiências sensoriais, informações sobre métodos de produção do mundo inteiro, já que o museu não se restringe aos rótulos franceses. Ele é quase completíssimo, um pena que o guia em áudio não esteja disponível ainda em português. No fim, vamos ao terraço com vista panorâmica bebericar um vinho da nossa escolha – incluso na entrada que custa €20. Reserve pelo menos – menos mesmo – quatro horas para a visita.

4 – Cruze a Pont de Pierre ou passeie de barco para ver Bordeaux por outra perspectiva

A Pont de Pierre é a mais antiga de Bordeaux, datada de 1822. A cidade tem outros passeios mais jovens e me lembrou muito recife nesse aspecto. À noite, vale muito cruzar o rio para observar a iluminação do parte histórica de longe. Como a ponte tem 500 metros, o recuo é longo e a vista é linda. Você pode ter uma perspectiva a partir do rio Garonne se fizer um passeio de barco. Eles usam embarcações no dia a dia como transporte público, levando as pessoas de um lado para o outro ou para pontos diferentes da margem. O passe custa somente €1,50 e eu fiz o percurso La Cité du Vin-Place de la Bourse.

5 – Suba em um dos portais da cidade

Você vai perceber que Bordeaux tem vários arcos, como se fossem entradas diferentes para a área central. Vi o mesmo em Gênova, na Itália, que também é uma cidade medieval. Os portais são lindos e imponentes e o mais importante é o Porte de Bourgogne, do século 18, que fica logo depois da Pont de Pierre no sentido do centro. É enorme, a porta de entrada principal da cidade. Mas, o mais lindo e meu favorito foi o Port de Cailhau, que tem 20 metros de altura e uma vista bem bonita lá de cima. Parece um castelo de princesa da Disney. ♥ Foi, no entanto, base militar estratégica no século 15. Lá dentro é pequenininho e bem simples, mas a vista é legal (custa €5).

6 – Faça um bate-volta até a cidade dos vinhos gran cru, Saint Emilion

Eu A M E I esse lugar. Gente, que cidadezinha incrível. Eu adoro coisa velha e ali você é transportado para o passado, mesmo com tantas lojinhas de vinho e turistas pra cima e pra baixo. Usa a imaginação. Você pega o trem na estação Saint-Jean, em Bordeaux, e 35 minutos depois está lá. A passagem custa menos de €10 se comprada antecipadamente, o que eu aconselho porque é um perrengue comprar na hora (os melhores horários acabam). Um turno é suficiente para conhecer tudo porque a parte histórica é bem pequena. Caso você queira visitar os vários châteaus da região – propriedades onde são produzidos os famosos vinhos gran cru – sugiro dormir por lá. São centenas. Alguns precisam de reserva, alguns são grátis, alguns são hotéis. A lista de todos está aqui. Infelizmente, não tive tempo, então fiquei pela cidade, que é massa e dispõe de algumas caves legais para visitação.

PLUS – O city pass* vale a pena?

Bordeaux oferece passes de 24h, 48h e 72h que incluem: transporte público ilimitado (trem de superfície, ônibus e os barquinhos), entrada em sete museus e oito pontos turísticos, como o Porte Cailhau, o Grand Theatre  e a torre da Basílica de Saint-Michel que mostrei aqui em cima, passeios guiados, entrada para a La Cité du Vin e vários outros descontos a depender da quantidade de horas que você escolher. O de 24h custa €29, o de 48h é €39 e o de 72h é €46 (todas as informações estão aqui). Se você planeja visitar a La Cité du Vin – que, vamos combinar, é imperdível – o passe da cidade vale muito. Eu sou de humanas, mas façamos as contas: só a entrada para esse museu custa €20. Se você quiser usar o barco e entrar nas sugestões de atrações que deixei aqui, o as que você preferir, já compensa pegar pelo menos o de 24h. 🙂

*Um obrigada ao Escritório de Turismo de Bordeaux por ter, gentilmente, disponibilizado o city pass para o blog.

Milenna Gomes

Criadora do NSC, Milenna é jornalista de gastronomia e mestranda em história da alimentação na Universidade de Coimbra. Recifense vivendo em Portugal. Críticas e sugestões: contato@naoseicozinhar.com

2 Comentários

  • Responder julho 10, 2017

    paulo muniz

    Brasileiro quando viaja é sempre procurando e dando dicas de lugares baratos , por que isso hein?! rsrsrsrsrsr se eu quiser frequentar os melhores restaurantes , hoteis e etc. nunca encontro dicas pra isso, lamentável.

    • Milenna Gomes
      Responder julho 10, 2017

      Milenna Gomes

      Claro que encontra, Paulo! É só buscar nos sites de turismo de luxo. Que não é, nunca foi e nem será o objetivo do meu blog. Dá um Google que você acha rapidinho o que precisa. 🙂

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